Salomão destrói a mentira moderna de que precisamos "colocar tudo para fora" e "falar o que der na telha" para não ficarmos sufocados. Ele mostra que a falta de filtro não é autenticidade, é tolice.
Reflexão
1A Ilusão do Desabafo
O tolo sente uma raiva e imediatamente abre as comportas. Ele grita no trânsito, manda aquele e-mail agressivo para o cliente e ofende a esposa no calor da discussão. A explosão dá um alívio de cinco segundos para o ego dele, mas o preço é altíssimo: ele destrói pontes, perde contratos e traumatiza a própria família. Vomitar as emoções nos outros é sinal de fraqueza, não de força.
2A Força da Represa
Preste atenção: o texto não diz que o sábio não sente raiva. Ele sente! A diferença é que o sábio tem uma "represa" interna. Ele tem a capacidade de segurar a água barrenta da ira, processar a emoção e escolher a resposta adequada. Ele domina o impulso antes que o impulso o domine.
3A Arte de Apaziguar
O sábio não apenas engole a raiva; ele a "apazigua" (ou a acalma). Ele reduz a temperatura do ambiente. No mundo dos negócios e na liderança familiar, quem consegue manter a calma enquanto todos estão em pânico ou brigando é quem acaba assumindo o controle da situação.
"Especialista em Pessoas" — Tiago Brunet
O especialista sabe que quando você explode com uma pessoa difícil, você está descendo ao nível dela e entregando a ela o controle das suas emoções. Quem te irrita, te domina. O líder sábio recusa-se a ser um fantoche das provocações alheias. Ele usa o silêncio e o domínio próprio como as suas maiores armas de influência.
"O Poder da Autorresponsabilidade" — Paulo Vieira
O vitimista justifica a própria explosão culpando o outro: "Eu gritei porque você me tirou do sério!". Ele age como se não tivesse controle sobre o próprio corpo. O autorresponsável assume o leme. Ele entende que entre o estímulo (a provocação) e a resposta (a reação) existe um espaço de escolha. E é nesse espaço que ele exerce o seu domínio próprio e constrói o seu sucesso.
Se o mundo diz "siga o seu coração" e "não guarde raiva, exploda", a Palavra de Deus nos chama para um nível superior. Em Gálatas 5:22-23, Paulo lista o Fruto do Espírito Santo, e a última característica dessa lista é exatamente o domínio próprio.
Ter domínio próprio não é uma técnica de coach, é a evidência de que Cristo governa a sua vida. Olhe para Jesus no momento da Sua prisão e julgamento. Ele foi traído, humilhado, cuspido e chicoteado. Ele tinha poder para dar vazão à Sua ira e fulminar todos ali com uma palavra. Mas Ele dominou a Si mesmo. Como ovelha muda, Ele apaziguou a situação, suportou a ofensa e caminhou para a cruz focado no propósito. Seguir a Cristo é pedir que o Espírito Santo coloque um freio na nossa língua e uma represa no nosso coração.