Leia o versículo com atenção, porque ele não acusa o lavrador de não trabalhar. A acusação é outra: ele não arou no tempo certo.
Guarde essas três palavras, porque elas mudam o tamanho do aviso. Existe trabalho que só funciona dentro de uma janela.
E o fim do versículo é seco: não terá nada para colher. A palavra é nada.
Reflexão
1O Problema Não é o Esforço, é a Janela
Tem coisa na vida que aceita atraso sem cobrar caro. Você pode trocar o carro mais tarde, ler o livro no mês que vem, pintar a parede no ano que vem.
E tem coisa que tem estação. Arar é uma dessas. Fora da janela, o mesmo esforço não produz o mesmo resultado.
A sua vida está cheia de janelas assim. A contratação que precisava acontecer antes da alta temporada. A reserva que precisava ser feita enquanto o caixa estava bom. A prospecção que precisava rodar no começo do mês. O check-up que precisava ser feito antes do sintoma. A conversa com o filho adolescente, que tem uma idade em que ele ainda quer conversar.
Em todos esses casos, o trabalho continua possível depois. Só que ele para de produzir a mesma colheita.
2A Estação do Arado é Feia
Existe um motivo prático para o arado ser a parte que as pessoas pulam.
Arar não tem resultado visível. Você passa o dia inteiro virando terra e, no fim, não tem nada bonito para mostrar. Nenhum fruto, nenhum aplauso, nenhuma foto.
É exatamente isso que acontece nas empresas. Prospectar com a agenda cheia parece perda de tempo. Treinar a equipe no mês tranquilo parece luxo. Fazer manutenção na máquina que está funcionando parece dinheiro jogado fora.
E aí vem a parte que engana. Quem pula o arado não sente falta nenhuma naquele dia. O dia inclusive rende mais, porque sobrou tempo para as urgências.
A conta fica guardada, quietinha, esperando a estação seguinte.
3Na Colheita, Já Não Dá Para Consertar
O versículo escolhe o pior momento possível para entregar a fatura: a colheita.
Repare na crueldade do calendário. Quando a falta do arado aparece, a correção já não está disponível. Ninguém ara em cima da colheita.
É o mês em que o cliente grande sai e a prospecção que ia repor estava parada há um trimestre. É o dezembro em que falta caixa e a reserva não foi feita em junho. É a saída do funcionário bom, que vinha avisando em silêncio desde março.
E aqui é preciso dizer uma coisa com cuidado, porque o versículo é duro e a vida real tem muita gente cansada. Existem estações que a gente perde mesmo, e o texto não oferece atalho para elas.
Mas existe uma diferença enorme entre perder uma estação e parar de plantar. A pergunta que resolve o dia é sobre a terra que está na sua frente agora.