Reflexão
Você vê alguém mentir, prejudicar outra pessoa e continuar recebendo elogios. Na reunião, a história ficou bonita. Quem conhece os bastidores sabe que não foi bem assim. Dá vontade de perguntar: "Então vale a pena fazer o que é certo?".
Provérbios 21:12 responde colocando Deus no centro. Ele é justo, observa o mal e não o deixa acima do seu julgamento. A aparência de sucesso não transforma a maldade em algo correto. O que passa despercebido às pessoas não passa despercebido a Deus.
Isso não nos dá uma data para a queda de alguém nem permite dizer que toda doença, perda ou dificuldade é castigo. O versículo afirma a justiça de Deus, não nos entrega o controle dela. Também não serve para separar a humanidade entre "os maus lá fora" e "nós, que nunca erramos". No mesmo capítulo, somos lembrados de que Deus conhece nossas intenções.
1Não use o aplauso como prova de que está certo.
Uma atitude pode render elogios e ainda ser injusta. Você pode receber o crédito por algo que outra pessoa fez, ganhar uma discussão escondendo parte da história ou impressionar alguém com uma promessa que não pretende cumprir. Antes de perguntar se a imagem ficou boa, pergunte quem foi afetado. O reconhecimento das pessoas não substitui uma consciência tratada com verdade.
2Confira o que você faz quando não precisa explicar.
Deus não vê apenas a versão apresentada na reunião, na foto ou na conversa. Ele também conhece a escolha feita longe dos olhares. Isso nos chama a parar de defender uma aparência e começar a corrigir uma atitude. Se você escondeu um erro, fale a verdade. Se prejudicou alguém, reconheça sua parte e repare o possível. Não espere a exposição tornar inevitável o que já sabe que precisa mudar.
3Confie na justiça de Deus sem transformar a dor em vingança.
Ser prejudicado não é pouca coisa. Você pode procurar ajuda, estabelecer limites e enfrentar a situação por caminhos responsáveis. Confiar em Deus não exige ficar em silêncio diante de uma ameaça nem continuar disponível para ser ferido. Mas planejar a humilhação do outro não devolve a paz. Você não precisa destruir alguém para provar que sofreu uma injustiça.
Esse provérbio nos protege de duas armadilhas: copiar o mal porque parece compensar e gastar a vida esperando a queda de quem nos feriu. Também nos promove: aprendemos a escolher o que é justo mesmo sem plateia, sem garantia de aplauso e sem transformar cada relação em uma disputa pela melhor imagem.
Há outra atenção importante: nós não conhecemos tudo sobre ninguém. Uma suspeita não é prova, e uma história incompleta não autoriza uma acusação. Deus conhece o coração; nós precisamos ouvir, conferir os fatos e agir com humildade. Reconhecer um comportamento errado não nos torna capazes de dar a sentença final sobre uma pessoa.
Muito antes dos livros sobre caráter e responsabilidade, Provérbios já mostrava que a vida não se resume ao que conseguimos fazer os outros acreditarem. Hoje, entregue a Deus o que você não controla e cuide da atitude que ainda depende de você. A aparência pode ser defendida por muito tempo. A verdade merece ser vivida agora.