Dia 2, então Provérbios 2...
Reflexão
O projeto foi entregue no prazo. O cliente elogiou. O responsável recebeu os parabéns. Na equipe, porém, as tarefas difíceis ficaram sempre com as mesmas duas pessoas. Quem tinha mais proximidade com o chefe conseguiu escapar. A entrega deu certo. A maneira de chegar até ela deixou uma injustiça que o relatório de resultados não mostra.
Provérbios 2 acompanha a orientação de um pai ao filho: acolher o ensino, buscar entendimento e procurar a sabedoria com empenho. O capítulo diz que o Senhor é quem dá a sabedoria. Quando chega ao versículo 9, a promessa alcança o modo de decidir: compreender o que é direito, justo e honesto e saber o que fazer. O conhecimento recebido precisa nos ajudar a examinar também o caminho pelo qual conseguimos as coisas.
1Um bom resultado não aprova todos os meios.
Uma mensagem pode conseguir uma resposta porque humilhou alguém diante do grupo. Um vendedor pode fechar o contrato omitindo uma limitação importante do serviço. Um pai pode fazer o filho parar de chorar por medo da sua reação. Nos três casos, houve um efeito imediato. Ainda precisamos perguntar se a pessoa foi tratada com verdade e respeito.
Esse exame costuma incomodar quando o benefício chegou para nós. Se a venda entrou, a ordem foi cumprida ou o prazo foi atendido, ficamos tentados a encerrar a avaliação. Mas o versículo acrescenta critérios que o placar sozinho não oferece. Quem foi ouvido? Quem assumiu um peso que não lhe cabia? Alguém concordou sem conhecer uma informação que mudaria sua decisão?
Resultados importam. Precisamos cumprir compromissos, trabalhar bem e cuidar do que nos foi confiado. O perigo é deixar que o resultado dispense a pergunta sobre os meios. Um erro continua precisando de correção mesmo quando trouxe uma vantagem. Reconhecer isso pode exigir devolver um crédito indevido, esclarecer uma promessa ou refazer a distribuição de trabalho.
2A justiça aparece quando a decisão também alcança o outro.
Volte à equipe que entregou o projeto. Talvez o chefe tenha distribuído as tarefas sem conferir a carga de cada pessoa. Talvez tenha favorecido quem consegue reclamar mais alto. A pessoa silenciosa acabou pagando pela facilidade de quem decide. Para rever a situação, ele precisa olhar além do prazo: quem fez o quê, quais eram as condições e como os critérios foram aplicados.
Na família, isso aparece quando cobramos do filho paciente aquilo que relevamos no filho que reage mal. Numa conversa, aparece quando exigimos que o outro explique cada detalhe e pedimos que aceite a nossa versão sem perguntas. Na amizade, aparece quando uma regra fica rigorosa para quem nos contraria e flexível para quem nos beneficia. A sabedoria nos ajuda a perceber esses dois pesos antes de chamá-los de bom senso.
Tratar com justiça exige considerar diferenças reais. Uma pessoa pode precisar de apoio, outra pode ter mais experiência, e uma terceira pode estar atravessando uma limitação que não conhecemos. Distribuir tudo de maneira idêntica nem sempre resolve. O cuidado está em examinar essas diferenças com honestidade, ouvir os envolvidos e conseguir explicar a decisão sem esconder favoritismos atrás de uma desculpa conveniente.
3A sabedoria precisa formar o critério antes da pressa.
O capítulo fala de procurar entendimento com empenho. Isso leva tempo e disposição para aprender. Se deixamos toda avaliação para o instante em que precisamos resolver algo, a urgência facilmente vira o nosso único argumento. "Precisava entregar" passa a justificar uma promessa falsa. "Precisava encerrar a conversa" passa a justificar uma resposta cruel.
Podemos preparar melhor as próximas escolhas. Antes de assumir um prazo, ouvir quem vai executar. Antes de prometer um serviço, explicar suas condições. Antes de decidir um conflito em casa, escutar as pessoas envolvidas. Esses cuidados não eliminam os imprevistos. Eles evitam que a falta de preparo seja usada repetidamente como autorização para tratar alguém mal.
O versículo também termina com ação: saber o que deve fazer. Há situações em que faltam informações e precisamos procurar orientação. Em outras, já sabemos que uma informação precisa ser corrigida ou que alguém foi tratado de maneira injusta. Nesse caso, mais reflexão não pode virar uma forma elegante de adiar. Peça sabedoria a Deus, examine os fatos e dê o passo que a verdade já permite enxergar.