Reflexão
Você explica com calma, muda o exemplo e manda outro áudio. A pessoa responde com deboche, distorce o que você disse e pede que explique de novo. Você continua, pensando que falta encontrar a frase perfeita. Mas talvez o problema daquela conversa não seja falta de informação. Pode ser falta de disposição para ouvir.
Provérbios 23:9 chama atenção para essa diferença. O tolo apresentado no versículo despreza a sabedoria que recebe. Não é alguém com pouca escolaridade, dificuldade de aprendizagem ou uma opinião diferente da sua. O problema é a postura de tratar com desprezo aquilo que poderia ajudá-lo.
No mesmo capítulo, o versículo 12 convida a prestar atenção e aprender. O contraste importa: não basta haver palavras sábias disponíveis; é preciso disposição para recebê-las. Antes de aumentar a explicação, vale perceber se ainda existe escuta.
1Diferencie dificuldade de compreensão de recusa em ouvir.
Quem quer entender pode fazer a mesma pergunta várias vezes, discordar ou precisar de outro exemplo. Isso não é desprezo. Observe se a pessoa tenta compreender o que foi dito ou apenas procura um jeito de ridicularizar. E confira sua parte: você explicou com clareza? Ou ofereceu um conselho que ninguém pediu, num momento inadequado? O versículo não torna a nossa opinião automaticamente sábia nem todo discordante um tolo.
2Não tente resolver falta de abertura com excesso de palavras.
Uma conversa útil permite perguntas honestas e algum próximo passo. Quando tudo vira motivo de zombaria, você pode dizer: "Já expliquei o que penso. Se quiser conversar com respeito, podemos retomar". No trabalho, registre a orientação necessária e siga o procedimento adequado. Numa amizade, não transforme cuidado em fiscalização permanente. Há diferença entre oferecer ajuda e tentar controlar a decisão de alguém.
3Seja também alguém que aceita ser ensinado.
É fácil lembrar de quem não escuta. Mais difícil é notar quando fazemos o mesmo: interrompemos, preparamos a defesa antes de entender ou desqualificamos um conselho porque ele toca num hábito que não queremos mudar. Pergunte a uma pessoa de confiança: "O que você tenta me dizer e eu não deixo terminar?". Escute sem preparar uma resposta para cada frase. O aviso do provérbio também precisa encontrar lugar em nós.
Esse discernimento não é licença para abandonar os filhos, negar explicações devidas ou deixar alguém em risco. Crianças e pessoas que dependem do nosso cuidado precisam de ensino paciente, adaptado às suas necessidades. Se houver ameaça ou violência, procure proteção e ajuda adequada; não dependa de convencer sozinho quem está agredindo.
Muito antes dos livros sobre comunicação, Provérbios já mostrava que falar bem não garante ser ouvido. Essa sabedoria nos protege do desgaste de tentar produzir no outro uma mudança que não controlamos. E nos promove ao formar relações com clareza, respeito e responsabilidade, em vez de uma busca interminável pela última palavra.
Hoje, escolha onde vale continuar explicando e onde é melhor fazer uma pausa. Não encerre a conversa para castigar alguém nem para fugir de uma crítica verdadeira. Fale o necessário, cumpra sua responsabilidade e deixe espaço para uma resposta que não pode ser forçada.